12/03/2010
Diretores da Fapa participam de café da manhã com o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco
Diretores e funcionários da Fapa participaram na última quarta-feira (10) de um café da manhã promovido pela Associação dos Fundos de Pensão do Paraná (Previpar) em parceria com a Rio Bravo Investimentos. O encontro reuniu diretores e profissionais de fundações e instituições financeiras de Curitiba, que puderam acompanhar a palestra do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, com o tema “Brasil – Temas macroeconômicos para 2010: Perspectivas para 2010 e adiante”.
Franco que é também um dos sócios-fundadores da empresa Rio Bravo Investimentos abordou sobre o cenário internacional, e questões atuais como: a atividade dos BRICs, (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China); a crise bancária americana e a sensação de alívio; os chamados PIIGSs (grupo composto por Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), focando na situação da zona do euro. Falou também sobre as contas externas e o fortalecimento do real, fez um panorama da inflação e dos juros no país e comentou sobre o reflexo das eleições de 2010 na economia brasileira.
No Brasil, segundo ele, 2010 não parece ano eleitoral para a economia. Isso porque, não se nota na curva de preços dos ativos nenhuma descontinuidade ou expectativa de mudança. “É como se não houvesse a eleição. Além disso, ao passo que em 2002 os quatro candidatos à presidência queriam mudança, inclusive os governistas, agora todos querem estar em harmonia com o legado do presidente Lula. Ninguém se atreve a falar nada, de que vai mudar alguma coisa”. “A mudança agora virou o problema. Todos portanto, são pela não mudança, e se é uma competição para ver agora o que vai ficar mais igual, para o mundo dos investimentos e do mercado financeiro esse é o melhor cenário,” enfatizou.
Sobre a inflação, Franco falou que no país, ela é relativamente alta para os padrões internacionais, e classificou no Brasil, como o fator mais importante para baixá-la, o aquecimento da economia, destacando como principal elemento inflacionário atualmente, o governo, por meio de sua política fiscal.
“Nosso país investe pouco e nós economistas, da parte utilizada do investimento, calculamos o crescimento do produto potencial, que é uma maneira de estimar o teto de produção da economia, o que tem a ver com infra-estrutura, estradas, capacidade de porto, de embalagem e de tantas outras coisas, ou seja, pouco investimento, em vista de um crescimento acelerado, a estrutura não comporta, e de alguma maneira o sistema de preços entra em jogo para racionar esse espaço,” disse.
CENÁRIO PÓS-CRISE
Franco fez um panorama e lembrou que os países se encontram em ritmos diferentes. Nos BRICS, por exemplo, ele disse que o problema é o superaquecimento. “Tanto o Brasil, como a China, a Índia, a Rússia, a Europa Oriental, e a Ásia deixaram para trás resquícios de crise e toda essa ‘periferia’ cresce bem. Os Estados Unidos parece estar um pouco menos dinâmico do que os BRICS. Na Europa os focos do problema estão no PIIGSs, que me parece a última fronteira. Preocupam Grécia, Espanha e Inglaterra que são países que estão com altos índices de desemprego e devem tomar medidas restritivas no âmbito fiscal e vão ter seu crescimento usurpado. Vai prejudicar o euro, os mercados já refletem isso desde o começo do ano, o contraste entre o crescimento de duas áreas deve continuar ainda por um bom tempo, mas pelo menos se acentua com a recuperação americana”.
“SHAKESPEARE E A ECONOMIA”
O ex-presidente do Banco Central aproveitou o espaço para falar sobre seu novo livro, “Shakespeare e a Economia”, lançado em Curitiba na terça-feira (09). A obra entrelaça o aspecto empresarial de Shakespeare, que mostra que o dramaturgo não era apenas um bom artista, mas também um empresário de sucesso. Franco também aborda a economia do teatro, a linguagem, as companhias teatrais, sua organização e seus resultados financeiros, além de cálculos que mostram como Shakespeare era dono de uma fortuna considerável.






