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Presidente do Emater fala sobre desafios, compromissos e expectativas do projeto de reestruturação da agricultura 22/01/2019

Presidente do Emater fala sobre desafios, compromissos e expectativas do projeto de reestruturação da agricultura

Maior agilidade, eficiência, cobertura e modernização de gestão. Essas são as premissas que embasam o projeto de reestruturação administrativa na agricultura do estado, que congregará em uma única organização o Instituto Emater, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Centro Paranaense de Referência em Agroecologia e a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar).

O diretor presidente do Instituto Emater e do futuro Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Natalino Avance de Souza, concedeu uma entrevista a FAPA na qual fala sobre os desafios, compromissos e expectativas na condução do projeto.


O projeto é talvez uma das mudanças mais significativas nesses 62 anos de história do Instituto Emater. O que representa para a extensão rural do estado?

Eu tenho entendimento de que a contribuição do Emater nos seus 62 anos de história - enquanto Acarpa, Emater/PR - e Iapar na modernização da agricultura, é inquestionável. Tem uma participação antiga, historicamente tanto a Emater quanto o Iapar cumpriram os papéis para os quais foram criados. No entanto, hoje se tem uma expectativa de que isso possa ser aprimorado. Tem-se uma leitura de que, se a extensão estiver mais perto da pesquisa ela pode ter uma ação mais efetiva e provocar mudanças mais substanciais, reduzindo pobreza no meio rural, reduzindo desigualdades, provocando inovação tecnológica, melhorando a renda e a sustentabilidade da agricultura, tudo isso com menor custo do que se tem hoje e maior alcance. Esse é o quadro que leva o governo a pensar numa modernização da gestão.

Toda mudança naturalmente gera expectativas, como essa questão está sendo trabalhada com os funcionários?

A gente sabe que toda mudança gera uma preocupação e isso está presente tanto no Emater, no Iapar, no CPRA e na Codapar. A gente tem que fazer um esforço enorme para conversar com as pessoas no sentido de tranquilizá-las. O projeto não prevê a redução de funcionários e sim estuda a possibilidade de otimizar a gestão, talvez com menos gestores e mais integração. Embora seja natural a resistência, a preocupação, a apreensão e o estresse nas pessoas, estamos trabalhando no sentido de evitar isso.

O que se quer para o futuro é poder dialogar mais de perto, tanto a pesquisa oficial tenha espaço para conversar mais com a pesquisa privada, a ATER oficial [Assistência Técnica e Extensão Rural] para dialogar com a ATER privada, quanto à pesquisa tenha espaço para dialogar mais com a ATER. É um desejo, e que ambas tenham espaço para dialogar mais com o cliente, para criar essa integração e tornar o sistema mais efetivo. Para fazer com que as entidades da agricultura, sintam que aqui existe uma instituição que é para eles, pensando e produzindo para eles, essa é a visão com a qual estamos trabalhando.

Foi anunciado que haverá um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) no Instituto Emater. Qual será o formato e quais os prazos para a realização?

Tem um compromisso ajustado com secretário de Estado de que essa nova organização precisa receber um reforço de pessoal. O Iapar hoje tem 94 pesquisadores, um número muito aquém do que o estado precisa e do que o Iapar pode produzir. A pesquisa precisa ser reforçada. No sistema atual é impossível, já que o estado está no seu limite prudencial.

O PDV aparece como uma estratégia de abrir espaço na rubrica de pessoal do estado, para permitir contratações, dentro da nova organização. Aí dentro da nova organização vai se pensar, quantos vão para pesquisa, quantos vão para a extensão e quantos vão para o apoio administrativo.

O que temos ajustado é que o PDV vai ser trabalhado depois que a nova organização estiver implantada. Possivelmente após os 90 dias, [prazo para a criação da nova organização], começaremos o estudo do PDV, já que a organização precisa estar estabelecida, para reforçar segmentos dentro dela.

O governo tem já manifestado entendimento dos formatos dos PDVS, então acredito que vamos ter um formato semelhante ao que vem sendo adotado, talvez com algum ajuste, mas o formato básico é esse aí que se verificou nos últimos dois PDVs do Emater.

Em relação às futuras contratações, já existem definições?

Está decidido que será realizado concurso público dentro das carreiras estabelecidas de extensionista e de pesquisador, nós vamos respeitá-las. O entendimento que nós temos é que para não prejudicar nem um segmento nem outro, pesquisador faz pesquisa e extencionista, vai fazer a extensão. O concurso vai repor dentro das carreiras estabelecidas.

Em relação aos compromissos previdenciários assumidos pelo Emater com os participantes e assistidos da FAPA, como serão trabalhados?

Existe uma série de compromissos que dão sustentabilidade ao funcionamento das diversas organizações que estão envolvidas nesse projeto. Se pensarmos no lado da pesquisa, se tem os compromissos com os produtores de sementes e os compromissos adotados com os fornecedores deles. Quando você vem para o lado da extensão rural, se tem o compromisso com as prefeituras e existe o compromisso que a nossa instituição tem com a FAPA. Nós temos trabalhado na linha de que esse conjunto de compromissos existentes precisa ser respeitado e é necessário considerar no momento em que vai se começar a estudar o projeto.

A gente não quer perder nem os benefícios que estão intrínsecos com a pesquisa na linha da inovação e na isenção de tributos, muito menos naqueles que dão segurança aos funcionários do Emater. Então vamos conversar muito com a Associação dos Funcionários e com a Fundação e vamos estudar quais os mecanismos que teremos que adotar para que esses compromissos, que são históricos, sejam respeitados.

Eu sempre digo assim, quando eu entrei na extensão rural eu entrei na Acarpa e no mesmo dia em que eu assinei a minha folha registro eu assinei minha adesão na Fundação, portanto ela está presente na minha vida desde o primeiro dia e não seria eu quem iria romper esse compromisso em hipótese nenhuma.

Estamos mantendo todos os compromissos, eu tenho dito isso para a diretoria, para a Claudia e para o Celso, e para todos os funcionários. Isso já foi conversado com o secretário de estado, e ele reforçou esse compromisso. Nós vamos estudar quais são os mecanismos legais que precisamos considerar no projeto de lei, no estatuto e no regulamento da nova organização para atender esses compromissos que dão segurança, tanto para pesquisa quanto para a extensão rural.

Diante desse novo desafio, qual sua mensagem para os funcionários do Emater?

Eu tenho dito que toda minha vida profissional foi dentro dessa casa. Eu nasci dentro dessa casa e vou encerrar minha vida profissional dentro dessa casa. Podem dizer que tem gente com um amor igual ao meu por ela, mas ninguém tem mais do que eu.

Eu tenho o compromisso nesse projeto de fortalecer a atividade de extensão e estou dizendo a mesma coisa para a atividade de pesquisa. Historicamente eu tenho uma relação com a pesquisa, eu trabalhei em projetos desde quando eu era local. Só estamos participando desse projeto, porque acreditamos que ele é bom para a agricultura do estado, para os agricultores e para as nossas organizações.

Eu não vejo motivos para preocupação, para estresse. Vejo isso como uma grande oportunidade de preparar nossas instituições para o futuro. Nós podemos até não fazer, mas isso vai nos deixar muito frágeis. Então, com a disposição do governo de ajudar a criar uma empresa moderna com gestão eficiente, nós temos que valorizá-la. Nós não temos capital econômico, nós temos capital humano, é esse ativo intelectual que fez do estado o mais importante no cenário agrícola do país e nós queremos melhorar a contribuição, é assim que estamos entrando nesse projeto.

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