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Artigo “Paletós e Psique” 06/12/2016

Artigo “Paletós e Psique”


A cena me chamou a atenção, vários paletós enfileirados, do número 2 ao 50, todos colocados impecavelmente em ordem crescente.

Pensei em nossa vida. O corpo vai crescendo, sem esforço e meio que automaticamente vamos passando de uma numeração para outra: criança, adolescente, jovem, adulto. A natureza faz seu papel e transforma nosso corpo num corpo maduro de um adulto, sem esforço voluntário saímos do número 2 e vamos à casa dos 40 ou mais.

Nosso cérebro, abrigo da nossa psique, órgão complexo e fundamental, centro de decisões, das emoções, dos impulsos, gerador de comportamentos, de hábitos, dono do comando de nossas ações, não tem a mesma sorte. Ainda pouco compreendido, mas muito estudado, nele o hardware, também amadurece, mas com o software, a psique, é diferente.

Que bom se ela amadurecesse junto com o resto de nosso corpo, “por conta da natureza, meio que automaticamente”, mas não é assim.

Para expandir nossa psique precisamos de esforço, de uma vontade real de ampliar horizontes, de fazer um upgrade, de conhecer, reconhecer, admitir, mudar o rumo, mudar o hábito, olhar por outro ângulo, tudo isso dá trabalho, muito trabalho. É preciso conter os impulsos, mudar alguns caminhos neuronais, perceber pensamentos e sentimentos, meus e, como se não bastasse, dos outros também.

Pois é, por isso nem todos expandem sua psique. Não é incomum encontrarmos pessoas com paletó 46 com uma psique correspondente ao tamanho 12.

Mesmo nas grandes empresas, vejo líderes paletó tamanho adulto, tendo comportamentos ainda correspondente ao paletó 12.

Situações onde o líder só falta “fazer bico”, ficar “de mal”, fica com a cara amarrada, evita o seu par, porque foi contrariado, porque aconteceu algo que ele não queria, ou não recebeu exatamente o que queria.

Líderes que falam pelos cotovelos e são incapazes de sentar e ouvir, interrompem o tempo todo o seu interlocutor achando que sabem exatamente o que o outro vai falar. Ou aqueles incapazes de dizer um não, que sobrecarregam seus times e a si mesmos.

E os que ainda não amadureceram a comunicação, que não imaginam o que é assertividade e que são incapazes de comunicar o que pensam e sentem de forma não agressiva.

Encontro também aqueles cuja autoconfiança é tão baixa que lutam para mostrar o que não são e na verdade, conhecem tão pouco a seu próprio respeito que não se dão conta disso.

Há aqueles que centralizam os afazeres e, de tão atarefados, não tem tempo para desenvolver sua equipe. A gestão de pessoas fica em segundo plano, quando deveria estar nas prioridades.

Expandir a psique dá trabalho, é preciso tempo para refletir, é preciso desejo genuíno de mudar, é preciso respirar fundo e ter sua PPP - Pausa para Pensar, antes de reagir, é preciso ser intencional na busca por este crescimento, ele não vem automaticamente, além disso, é preciso treino, fazer, fazer de novo, treinar o novo hábito até que ele se torne a estrada neuronal mais usada.

Diante deste esforço muitos recuam e vivem no automático, fazendo o que sempre fizeram e permanecem na psique “tamanho 12”.

A intencionalidade para o crescimento não-físico, corresponde a busca constante por conhecimento, por desenvolvimento e abertura para colocar isso em prática.

Gerenciar relacionamentos com funcionários, pares e líder é ditame absoluto nas empresas, pena que nem todos percebam isso. Ligam o automático e seguem, sem o gerenciamento necessário para o sucesso de seu trabalho.

Vejo líderes que buscam informações para o crescimento, mas no momento de priorizar as novas ações, diante do esforço recuam e vão pelo caminho de sempre, o hábito de sempre, muito mais fácil. Se deixam levar pelo turbilhão de afazeres do seu dia-a-dia e não analisam seu fazer e ser. Nem todos percebem e atentam para a necessidade da intencionalidade na reflexão sobre o que nos ocorre e como reagimos.

Desenvolver a psique dá trabalho, exige esforço intencional, não vai acontecer sozinho, como o corpo, não vamos crescer se não tivermos esforço para isso. Não é a quantidade de cabelos brancos que traz a sabedoria, mas é a intencionalidade de aprender com as situações que nos são colocadas.

Durante nosso dia, no relacionamento diário, podemos ter várias oportunidades de aprendizado e mesmo assim não aprender. Precisamos estar prontos e atentos para aproveitar o aprendizado. Nada vem de uma grande oportunidade que não é analisada, sobre a qual não refletimos, pode ser uma grande oportunidade que vira só mais um ocorrido do dia, sem gerar os ganhos dos ensinamentos que podemos obter dela.

Analise: Qual tem sido seu esforço para expandir sua psique? O quanto tem se preocupado e sido intencional em novas ações? Tem parado para pensar, refletir sobre suas ações, suas palavras, o como você faz, como fala?

Seja intencional na busca por seu amadurecimento e colha os resultados de uma vida.


*Izabele Kutz é psicóloga, especialista em Grupos Operativos, Coach pelo INEXH e pela Associação Brasileira de Coaching Executivo Empresarial – ABRACEM. Atua como coach e palestrante. Atualmente trabalha em cooperação com seus vizinhos no resgate do convívio social local, através de ações conjuntas como: festas na rua, horta comunitária, recitais, ações junto aos órgãos competentes para melhoria da segurança, grupos de estudo, etc.

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